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Santiago Luz

Santiago Luz

Cadastrado: 06 Jul 2013
Offline Última atividade: Apr 24 2017 03:40 PM
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Torra doméstica - Modificações na fritadeira Kitchen Art da Philco

17 December 2016 - 11:41 PM

Em 2014, o Guilherme Torres - mais conhecido aqui como Guilherme TorrAs - teve a brilhante ideia de transformar uma fritadeira sem óleo elétrica em torrador de café. Algumas pessoas do fórum adquiriram o torrador já modificado - batizado pelo Guilherme de “GTCR-F1” - , e o sergio.m acabou criando um tópico para os donos do forno conversarem sobre ele. Só que o Guilherme acabou mergulhando de cabeça no aprimoramento dos torradores, culminando no desenho e fabricação de um torrador por completo, o “STC 2.0”, que é um torrador de prova em um patamar totalmente diferente do que temos com a Kitchen Art.

 

No começo desse mês, o beto-o (Café dos Brothers) descobriu uma oferta iiiiimpeeeerdííível da fritadeira no Mercado Livre, pela loja oficial da Philco e publicou na nossa seção do “Buscafé”. Na versão 220V, ela está sendo vendida por R$50! Muita gente aproveitou e garantiu a sua, mesmo sem ter muita certeza de como modificá-la!

 

Por isso, o Rodolfo e eu resolvemos, em conjunto, coletarmos as dicas do tópico original e sintetizarmos aqui, a fim de dar um novo fôlego àqueles que desejam entrar nessa brincadeira e facilitar a vida na hora de colocar a mão na massa! Apesar de resumirmos ao máximo, o tópico original já tem 20 páginas, então não tinha como esse texto ficar muito curto. Se quiser saber dos detalhes e da evolução do projeto, sugerimos a leitura do tópico do “GTCR-F1”.

 

A fritadeira em si é péssima para o que se propõe. Provavelmente, por isso, para nossa sorte, a Philco está liquidando o estoque. E sorte a deles que tem esse bando de doido comprando o produto com outra finalidade e que não vai ficar reclamando depois! B)

 

O equipamento original também é ruim para torrar café. Mas com pequenas modificações é possível transformá-lo em um torrador razoável! O custo das modificações variam de R$60 a R$200.

 

Limitações

 

Por se tratar de uma baita gambiarra, o forno tem suas limitações. A quantidade sugerida de grãos verdes por lote é de 150g-250g. Realizar torras seguidas é um problema, porque gera um sobreaquecimento que pode derreter peças plásticas. Ou se utiliza uma ventoinha para aumentar a capacidade de resfriamento, ou então basta dar um intervalo entre uma torra e outra para que o equipamento se resfrie. Ainda assim, problemas acontecem. Em tempo, esse tópico é apenas um relato a respeito das alterações que as pessoas fizeram. ATENÇÃO: Se você vai fazer esses ajustes, os faça por sua conta e risco. Eletricidade pode ser perigosa e pode matar.

 

Tipos de modificações

 

Existem basicamente 3 possibilidades de modificações:

 

  1. Analógico: usando dimmer para controle de potência e termômetro de espeto para ler a temperatura. Tudo 100% manual.

  2. Semi-digital: usando o dimmer para controle de potência e, ao invés do termômetro, utilizar o Arduino com termopar para leitura de temperatura, possibilitando traçar o perfil em tempo real no RoastLogger.

  3. Digital: sem dimmer e com todo o gerenciamento de temperatura pelo Arduino e RoastLogger, com controle de potência via SSR e leitura por termopar.

 

Ajustes estruturais

 

Pela experiência da maioria, a modificação mais básica e crucial é a de incluir aletas no tambor, para que o café seja revirado dentro do forno. À propósito, vamos passar a chamá-lo de forno, já que não esperamos que o café seja frito dentro dele! :P Voltando ao assunto, outra modificação essencial é bloquear a resistência superior com uma chapa metálica (escudo), para que a proximidade com os grãos não acabe por chamuscá-los. A primeira modificação se dá porque o giro do tambor é muito lento e a segunda porque o sentido do giro faz com que os grãos se aproximem demais da fonte de calor. Há quem tenha mexido/trocado o motor para aumentar a velocidade e inverter o giro, porém é mais complexo de fazer, já que é preciso bolar uma solução para que a engrenagem do tambor não fique pulando e girando em falso.

 

Para as aletas e para o escudo, será preciso uma chapa metálica. Alguns usaram chapa de calha, outros chapas de alumínio. Só não funciona a chapa de latinha de alumínio, por ser muito fina. Para cortar, se não tiver tesoura própria, a dica é usar tesoura de cozinha, mas corre-se o risco de estragá-la.

 

Além disso, mais algumas modificações são indispensáveis, mas agora há que se decidir entre uma opção ou outra, de acordo com as possibilidades e expectativas de cada um.

 

Controle do aquecimento

 

O controle do aquecimento pode ser analógico, através de um dimmer, ou eletrônico, através de um SSR+Arduino. Em ambos os casos, o operador deve indicar manualmente a potência utilizada pelas resistências no momento. A diferença é que de modo eletrônico, é possível registrar automaticamente os parâmetros de potência utilizados ao longo da torra, e também possibilita o controle de forma automática da potência para atingir uma temperatura alvo, através da utilização de um controle PID pelo computador.

 

É preciso fazer duas pequenas modificações para implantar o controle do aquecimento. Deve-se retirar o botão lateral com o timer (ainda que seja possível mantê-lo, não faz muito sentido usar esse timer com o torrador).  E deve-se retirar/descartar o termostato original.

 

Leitura da temperatura

 

Há duas maneiras de fazer a leitura da temperatura durante a torra. A mais fácil é simplesmente colocar um termômetro espeto. O outro jeito, é através da leitura eletrônica por um termopar+Arduino. Mais uma vez, o modo eletrônico tem a vantagem de possibilitar as leituras diretamente no computador ao longo da torra e servir de subsídio para o controle PID funcionar.

 

Parte eletrônica

 

Quem optar por alguma alternativa eletrônica, a saída é utilizar um Arduino para servir de interface entre os sensores de temperatura, o SSR e o computador. Apesar de parecer um bicho de sete cabeças, a montagem da parte eletrônica não é tão difícil, já que há bastante material disponível sobre o assunto na internet. Só exige mais tempo, paciência e um gasto um pouco maior.

 

RoastLogger

 

Para utilização com o computador, o software mais utilizado é o RoastLogger. Com ele, é possível registrar os parâmetros utilizados durante a torra, permitindo manter um histórico do perfil de torra e possibilitando reproduzir esse perfil depois. O software também conta com um controle PID próprio. No caso da torra controla pelo PID, a experiência do pessoal do fórum é que a fase até o primeiro crack pode ser feita utilizando o PID, porém depois disso, o pessoal acha melhor controlar manualmente. No RoastLogger, o operador pode optar por deixar a torra em automático ou assumir o controle manual. Para isso, basta utilizar a barra deslizante que regula a potência de aquecimento.

 

Custos

 

O mais barato é manter o torrador todo analógico. O custo seria do dimmer (~R$40) e do termômetro espeto (~R$18). Na solução eletrônica, o custo seria o Arduino (~R$30 o Nano), SSR (~R$30), termopar (~R$15), interface de leitura do termopar - MAX6675 (~R$25). Ou seja, ~R$58 o analógico e ~R$100 o eletrônico. Soma-se a isso, o frete de cada compra.


[VENDIDO] Moedor Macap MC4 (stepless e doserless)

29 October 2016 - 04:13 PM

Vendo moedor elétrico Macap MC4.

 

Moedor stepless e doserless. Pouco utilizado. Fiz a limpeza interna e está em excelente estado. Mós planas de 58mm.

 

Voltagem: 110V

Localização: São Paulo

Valor: R$1.500,00

 

Interessados, comente aqui, mande mensagem ou e-mail para santiagoluz arroba gmail.com

 

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Ele apenas está com a base do reservatório quebrada em um dos encaixes, porém esse detalhe não é aparente quando o reservatório é colocado no lugar e nem interfere na funcionalidade. Dentro do reservatório há uma grelha preta de plástico que é encaixada ao reservatório por 3 pinos. Um deles está quebrado. Da mesma maneira, não é visível nem atrapalha em nada a funcionalidade.

[VENDIDO] Moedor Manual OE Pharos

11 October 2016 - 04:03 PM

Meu Pharos está a venda! Acumulei muitos moedores e a pressão para desapegar está crescente. Aproveitem antes que eu desista da ideia! :P

 

Fiz a modificação nele de trocar os tubos de plástico por tubos de alumínio. Esse mod serve para dar estabilidade ao conjunto todo, fazendo com que o alinhamento seja melhor mantido. Os tubos foram usinados para cada trio ter exatamente a mesma medida. Na época, fiz a modificação em conjunto com Rodrigo KS e o Bernardo. Valeu bastante a pena. Os tubos plásticos originais vão junto.

 

Outra vantagem com relação ao original, é que esse moedor já moeu bastante café, ou seja, as mós de 68mm estão mais amaciadas. Num moedor manual, isso faz diferença, porque amarciar as mós exige esforço! ;)

 

Também coloquei 6 disquinhos de silicone embaixo do anel que serve de base, para deixar esse suporte com mais aderência à bancada, diminuindo o esforço de segurar o moedor durante a moagem.

 

Valor: R$1.500,00

Localização: São Paulo/SP

 

Interessados, comentem aqui ou enviem mensagem.

 

 


Removendo finos com peneira

30 April 2016 - 04:41 PM

Há muito tempo me interesso pelo assunto de peneirar o café moido a fim de ter um resultado mais homogêneo de partículas, se livrando de finos e grossos, mantendo a faixa de granulometria mais estreita possível.

 

Já pensei nas peneiras de laboratório, mas desisti pelo custo e pela dificuldade da ação de peneirar com elas - aparentemente, por ser uma trama metálica, as partículas ficam presas e entopem os furos da peneira, necessitando de muita agitação.

 

Já pensei em um moedor melhor, mas o preço me desestimulou.

 

Aí surgiu o Rafino no Kickstarter que se mostrou uma alternativa bastante viável. Ainda que não tenho um preço tão acessível, é algo viável, tanto que acabei entrando na campanha com o kit de 11 peneiras! Como projeto de Kickstarter demora e a ansiedade é grande, acabei fazendo um teste com o filtro da Presse, e constatei que o resultado na xícara realmente é significativo.

 

Entretanto, peneirar com o filtro da Presse é impraticável, devido ao tamanho "minúsculo" dele. Isso me levou vasculhar a internet por uma "peneira" maior. Encontrei um filtro para infusões/chás que aparentemente funcionaria bem. Devido ao seu baixo custo (4,12 USD), resolvi arriscar e comprar um. No pior dos casos, eu teria um apetrecho legal para preparar infusões. :P

 

Comprei no AliExpress e chegou em um mês. O vendedor parece não ter mais o produto disponível, mas existem vários a venda no site.

 

 

A peneira

 

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Encontrei um copo que encaixasse a peneira

 

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O filtro da Presse tem 300 micra e esse filtro de chá tem 400 micra

 

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Eis o resultado! Usei 13,0g do café La Plata do Pergamino (Colômbia), moido no Bravo Mini (regulagem de uma volta e posição 40), resultando em 11,0g de café peneirado. Ou seja, a perda de finos foi de 15,42%. Levei menos de 2 minutos para peneirar. Na foto comparativa, tem duas linhas de imagens. É exatamente o mesmo café, mas com luminosidade diferente. Primeiro o grão, depois o café moido sem peneirar. E então, o café peneirado e os finos removidos.

 

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Restaurando uma Gaggia Internazionale de 4 grupos

20 August 2015 - 11:29 AM

Em novembro do ano passado, o rbcassani divulgou aqui no Buscafé do fórum um baita achado: uma Gaggia Internazionale de 4 grupos. Logo eu fiquei alucinado pela máquina. Mas por diversos motivos (valor, localidade, tamanho do trambolho, incertezas sobre sua conservação, falta de caldeira) eu não encarei a compra sozinho. Num encontro que fizemos no KOF para distribuição de cafés verdes de uma compra coletiva, eu sondei o pessoal para saber se alguém se animava em encarar o desafio dessa reforma. O Carneiro estava lá e disse que topava, mas não tinha onde deixar a máquina. Eu também não tinha. E eis que numa noite, o tópico da máquina foi movimentado pelo viniciusfm. Ele mencionou o interesse de um colecionador australiano pela máquina. No momento que li os comentários no fórum e no anúncio do Mercado Livre fiquei desesperado. Havia um risco real dessa máquina raríssima sair do país. Já era por volta da meia noite quando isso ocorreu. Eu mandei mensagem pro Marcio e ele não me respondeu. Acabei discutindo com o viniciusfm achando que ele estava melando o negócio... Mal sabia eu que ele estava, na verdade, era me ajudando a fechar o negócio com o vendedor. Depois conversei com ele em particular e pedi desculpas pela confusão. Peço aqui desculpas publicamente e agradeço a ele a ajuda.

 

No dia, eu ganhei uma dor de estômago forte de tanta ansiedade. E "ganhei" também uma máquina de uns 60 anos de idade e mais de 100kg!!! :D

 

Sem ter confirmação do Marcio, sem ter onde deixar a máquina e nem como transportá-la, fiz a compra! Foram mais alguns dias de ansiedade, pois o contato com o vendedor foi bastante confuso a princípio. Eu fiquei imaginando mil coisas, que ele já estava em negociação com o australiano, ou que estava querendo me enrolar. Nada disso. O vendedor só não estava no mesmo pique que eu. Hehehe!  :P

 

A compra da Gaggia coincidiu com a compra de um carro (usado, pra combinar) que eu estava negociando há mais de um ano. O carro, um Honda Fit, comportaria perfeitamente a máquina, já que com os bancos tombados, ele acaba virando uma "mini Fiorino".  ^_^

 

Meu sogro gentilmente cedeu espaço em seu escritório para que eu deixasse a máquina.

 

E o Marcio enfim topou entrar nessa restauração junto comigo!  :)

 

Resgate

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Comemoração

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4 grupos da Gaggia Internazionale ao lado da Mini Gaggia

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Durante esses 9 meses desde que a máquina foi comprada, já fizemos algumas coisas. Ainda em dezembro, junto com o Gilberto, desmontamos a máquina toda, com exceção dos grupos que são um desafio a parte.

 

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(a foto panorâmica ficou ruim, mas dá pra ter uma ideia geral da máquina desmontada)

 

 

Dos 4 grupos, até o momento desmontei dois. Lógico que não fiz isso sozinho. Hehe... Foi com a ajuda do meu pai, que é engenheiro mecânico, que tem uma empresa com várias ferramentas úteis e que conhece bastante sobre artimanhas mecânicas.

 

 

Logo eu escrevo mais, pois estou aproveitando minhas férias para correr atrás da reforma. :) Por isso, enfim estou conseguindo relatar aqui o andamento do projeto.