Octávio Postado 26 Janeiro 2024 Denunciar Share Postado 26 Janeiro 2024 Pessoal, decidi criar este tópico para referências a passagens do café na literatura. Particularmente, a passagem que mais me marcou nesse sentido foi uma do livro Amerika, romance de Kafka (inconcluso, como os demais). Claro, então nem se passava perto da concepção que temos hoje, de especialidade, mas justamente por isso temos aqui um paradigma concreto e marcante, o que talvez ajude a reforçar como este universo se insere em nossa vida hoje. Nas aventuras labirínticas e tortuosas de Karl pela cidade moderna, num determinado momento ele se depara com um estudante trabalhador -- isto é, que divide seu dia entre essas duas atividades -- na sacada ao lado, de madrugada, com cadernos, livros e uma garrafa. Como elemento da sempre notável e característica atmosfera do absurdo criada por Kafka, o estudante faz uso de garrafas enormes de café, de forma a ter energia para se desdobrar em vida tão atarefada. Parece que essa fragmentação e a sobreposição de papéis eram, inclusive, uma tendência moderna nova a estranhar a sensibilidade de então, até porque Kafka nunca pisou nos Estados Unidos. De todo modo, em um dos momentos ele diz o quanto essa bebida era muito ruim. Lembro-me de um professor meu de história econômica do Brasil dizendo, em tom de ironia, que as exportações do café brasileiro ao longo da intensificação da industrialização europeia não eram fruto do gosto sensorial dos europeus pela bebida, mas por mera imposição econômica e estratégia de impulsionar, talvez de maneira latente, a energia dos trabalhadores. A questão histórica do queima do café brasileiro apareceu, por exemplo, em roteiro do Bertolt Brecht para filme de 1930': Vale lembrar que, anteriormente, temos imagens bem mais românticas e anedóticas, como a do próprio Balzac, escritor francês, viciado em café, trazendo este para seu profícuo escrever. 2 Citar Link para o comentário Compartilhar em outros sites More sharing options...
Edx Postado 26 Janeiro 2024 Denunciar Share Postado 26 Janeiro 2024 Parabéns pela iniciativa! Vou procurar contribuir. São meus dois interesses: café e literatura! Citar Link para o comentário Compartilhar em outros sites More sharing options...
valacomum Postado 11 de Fevereiro Denunciar Share Postado 11 de Fevereiro "O jardineiro passou; d. Joana disse: — É pena que não haja rosas; eu gostaria de levar algumas ao vigário Alves. Ontem a mulher e as filhas do dr. Mendes passaram lá o dia, pregando cortinas, tapetes, ajudando d. Maria a enfeitar o quarto do filho... Aquelas são também muito boas pessoas... — Quer café, tia Joana? — Aceito... Você é das tais que nunca vão à missa... há de se arrepender... — Não tenho tempo... Quer mais açúcar? — Quero... Qual não tem tempo!... pois olhe, você tem pecados atrás de si, que deve purgar, se quer merecer o nome de boa filha... Nina franziu as sobrancelhas e, desviando a vista do rosto branco da tia, olhou para o jardim, ainda empapado dágua, muito verde, juncado de folhas arremessadas pela ventania.. D. Joana saboreava o café, sem reparar na moça, que continuava em pé, com o rosto contraído por uma expressão de raiva e de melancolia." A Falência, Júlia Lopes de Almeida https://literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=140567 Em 26/01/2024 at 15:58, Octávio disse: Pessoal, decidi criar este tópico para referências a passagens do café na literatura. Na obra acima, não somente há referências ao café, como o livro todo é centrado na temática cafeeira. Aproveitando o gancho, há vários títulos interessantes na página da UFSC (Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos), de onde tirei o excerto aqui postado. Não sou muito fã de livros digitais, mas bons livros gratuitos são sempre bem vindos. https://literaturabrasileira.ufsc.br/ 1 Citar Link para o comentário Compartilhar em outros sites More sharing options...
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