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Mostrando conteúdo com maior reputação em 03-02-2025 em todas as áreas

  1. Como eu sei que aqui tem um pessoal que aprecia restaurações e modificações de máquinas de espresso, resolvi fazer esse tópico, que estou enrolando há quase um ano pra escrever, e compartilhar de forma resumida as modificações que fiz nesta distinta senhora chamada Brasilia Lady. Pra quem não conhece, a Lady é um modelo clássico de máquina caseira da marca italiana, fundada há quase 50 anos, chamada Brasilia (e não Brasília, que por coincidência é minha cidade natal), e fez algum sucesso na década de 90 e início dos anos 2000, junto com outro modelo, a Club, sua irmã um pouco menor, com a qual compartilha algumas peças internas. É uma máquina bastante robusta (e pesada), construída praticamente toda em metal, tanto sua carcaça externa como as peças internas. Possui um boiler de latão de 300ml (330ml sem a resistência dentro) e um grupo de 58mm (conjunto praticamente idênticos aos da Fiama Minibar e da Faema Family), além de uma válvula solenoide. É uma máquina que compete de frente com a consagrada Rancilio Silvia, bem mais conhecida por aqui. Conversei com algumas pessoas com experiência nessa área ou que trabalham com máquinas e já fizeram comparações das duas lado a lado, ao que relataram uma ligeira preferência pelos espressos da Lady, ao compara-las ambas originais. A diferença de projeto entre as duas é que a Silvia possui o grupo deslocado do boiler, o que pode acabar funcionando como um radiador, caso não esteja muito bem aquecido, perdendo mais temperatura durante o shot, enquanto o grupo da Lady fica exatamente abaixo do boiler, proporcionando um aquecimento mais rápido. Outro ponto de vantagem é que a parte superior da carcaça da Lady, acima do boiler, tem perfurações que permitem a passagem livre de qualquer vapor formado e que venha a subir por dentro da máquia, ou seja, menos chances de oxidação interna na carcaça, algo que não é tão incomum de acontecer nas Silvias. Enfim, peguei essa minha unidade na cor azul, praticamente toda original. A única melhoria que ela possuía era uma válvula OPV regulada em 8 bar de pressão máxima. Aparentemente foi bem cuidada pelos donos anteriores, e estava funcionando bem. Originalmente ela trabalha com um termostato de extração que desliga a resistência a partir de 107º no boiler (no chuveiro fica sempre por volta de 10º a 11º abaixo) e com certeza deve passar dos 110º até parar o aquecimento e começar a cair. Ou seja, uma temperatura bem alta pra maioria das extrações, o que leva a necessidade dar flushs antes do shot para poder resfriá-la. Esse primeiro flush sempre saía vapor pelo chuveiro junto. Mas sabendo lidar com isso e "surfando" a temperatura, ela já tira bons espressos, só que a repetiblidade e a praticidade ficam um pouco prejudicadas. Na questão de modificações e melhorias, comecei com a troca da gaxeta por uma nova, pois a que veio não estava vedando 100% o porta-filtro. Depois desmontei toda a máquina e abri o boiler para verificar seu estado interno, que surpreendentemente estava em ótima condição de limpeza. Descobri posteriormente que o "Cabeça", do "Garagem do Café", já havia feito uma limpeza e revisão nela. Depois parti para a instalação do dimmer (testei 3 modelos diferentes até chegar no ideial), PID (modelo XMT-7100) e manômetro (o mesmo da Miicoffe Apex). Aproveitei que a máquina estava desmontada para colocar uma manta térmica em volta e em cima do boiler, o que ajuda na estabilidade térmica do conjunto, reduz o consumo de energia e diminui a irradiação de calor pras demais peças internas. Posteriormente troquei o chuveiro por outro novo de maior precisão (aparentemente é o mesmo modelo que serve nas Breville), o que melhorou a distribuição da queda de água. Fiz também a troca da ponta do bico vaporizador original de 2 furos por outro que possui um furo de tamanho variável, o que proporcionou um controle melhor da saída de vapor. E mais recentemente fiz a instalação de manta acústica na parte interna da máquina, na tentativa de deixá-la mais silenciosa. Abafou um pouco o barulho, mas o resultado ainda não ficou do jeito que esperava. Peguei outras ideias para diminuir com mais eficiência o barulho e a ressonância da bomba, e devo testar logo. Cheguei a cogitar pintá-la de outra cor quando estava desmontada, mas acabei resolvendo manter a originalidade dela. Então fiz apenas alguns pequenos retoques em pontos específicos que estavam arranhados ou desgastados com uma tinta de cor praticamente igual à original. Com a instalação do PID finalizada e com alguns ajustes nos parâmetros, os testes de estabilidade térmica com um termômetro dentro do porta-filtro mostraram um resultado que considero excelente, com a temperatura real dentro do cesto variando de 1ºC a 2ºC (às vezes até menos que 1º) durante a extração, dependendo da temperatura inicial, do tempo do shot e da velocidade do fluxo de água. Ou seja, com essa estabilidade, devido à grande massa metálica do conjunto, aliado aos 300ml do boiler posicionado acima do grupo, e ao PID atuando logo cedo, as torras claras e cafés mais difíceis de extrair não são um problema pra Lady. E hoje ela está assim, tirando ótimos espressos:
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  2. Fiz um vídeo bem simplezinho, mostrando um pouco do interior da máquina. (Faltou mencionar o regulador de fluxo (em latão), logo depois daquela solenoide à direita do Boiler)
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  3. Na gringa a ideia de fazer água customizada para café é algo bem comum, mas me parece pouco discutido por aqui. Não achei muito material prático em português e os poucos tópicos aqui do fórum mais falam sobre filtros e etc. Pois bem. Não tendo a intenção de esgotar o assunto, nem dar carteiraço de autoridade, até porque químico eu não sou, mas vou repassar pra vocês a minha rotina caseira de preparação de água do zero, passo a passo, pra qualquer um fazer. Posso garantir que o salto de qualidade pode ser muito grande, a depender da água que o leitor hoje use, comparável a um upgrade de moedor, por assim dizer. Na minha experiência dos últimos tempos, eliminar a água como uma variável da extração é algo muito positivo, principalmente porque os filtros de água tentem a perder eficácia com o tempo, e isso muda a quantidade de minerais na água; quem opta por água mineral ainda pode sofrer do mesmo dilema, ainda que em menor escala, porque existe uma padronização maior. Essa água também me fez cafés melhores do que os filtros que já usei, então mais um ponto positivo. Chega de enrolação. Alerta de post longo. VOCÊ VAI PRECISAR DE 1) Água destilada ou próxima disso: É bem comum partir de uma água com o mínimo de sólidos possível (TDS 0,0). Você tem a opção de comprar água destilada (comprada em garrafão), utilizar um sistema de osmose reversa na sua casa (bem caro) ou, como eu faço, utilizar um pitcher da ZeroWater, que agora temos a sorte de ser vendido no Brasil com distribuição oficial da IBBL (que também faz ótimos filtros, diga-se de passagem) Segue o link: https://www.ibbl.com.br/jarra-purificadora-domestica-zerowater-azul-90080001/p?idsku=135&gclid=CjwKCAjw1YCkBhAOEiwA5aN4ATOnFC3OxN29SUci5zxk5jkLgKLwai-TXBhrac2MAYis_zsNhhiTFRoCVxAQAvD_BwE O pitcher em si é um investimento relativamente alto, mas já vem com um filtro (que custa na média de 150 reais) e um medidor digital de TDS, que é interessante para saber como está sua água “pura” e da torneira, e se você não fez burrada na receita. É um medidor simples, mas serve para saber se você está no caminho certo. O recomendável é fazer medições com a água em torno de 25º para maior precisão. A durabilidade do filtro, como qualquer outro, depende da dureza da água que passa por ele. Como aqui a água é relativamente mole (60ppm), eu posso esperar uma vida útil perto de 200 litros (o medidor de TDS vai começar a apontar 0,05, por exemplo, e aí está na hora de trocar). Na ponta do lápis, pelo menos na minha cidade, sai mais barato que comprar água destilada 2) Minerais: Pela internet existem várias receitas com várias combinações possíveis. Uso uma combinação de três minerais que conseguimos achar com relativa facilidade no Brasil. Você vai precisar comprar a) Bicarbonato de sódio (NahCO3): esse normal que se acha em qualquer mercado. Sem firulas. b) Sulfato de Magnésio Heptahidratado (MgSO4.7H2O): não se assuste com o nome. É bem provável que você ache em farmácias com a denominação de “sal de epsom” ou “sal amargo”. A questão fica se o produto que você encontrar é alimentício, garanta isso por questões de saúde. Mais sobre isso adiante. c) Cloreto de Cálcio (CaCl2): você provavelmente vai achar em duas formas, “anidro” ou “di-hidratado”. As duas formas servem, apenas mudará a dose – tenha, porém, certeza de qual forma está comprando, porque às vezes na embalagem/site apenas estará escrito “cloreto de cálcio” e nada mais. Na dúvida, pergunte ao vendedor. Também garanta que o produto é alimentício. Os dois últimos podem ser facilmente achados em lojas de produtos de cerveja artesanal (pelo menos no Brasil, esse pessoal está na nossa frente nesse tópico – é algo comum nesse meio trabalhar com a composição da água). Eu recomendo a www.piquiribrewshop.com.br. Fui muito bem atendido, envio rápido, e tenho certeza das especificações dos minerais, além da garantia de ser alimentício. Sulfato de magnésio: https://www.piquiribrewshop.com.br/produto/sulfato-de-magnesio-alimenticio-100g.html Cloreto de cálcio: https://www.piquiribrewshop.com.br/produto/cloreto-de-calcio-alimenticio-100g.html OBS: não se anime em comprar grandes quantidades para “baratear”. São utilizadas quantidades muito pequenas. Potes de 100g devem durar alguns anos. 3) Balança: Eu uso uma “balança de joalheiro”, com precisão de 0.000. Comprei essa do Aliexpress e tem funcionado bem: https://pt.aliexpress.com/item/32849231936.html?spm=a2g0o.order_list.order_list_main.11.543fcaa4appVIb&gatewayAdapt=glo2bra É mais um gasto para todo o processo, mas ainda entendo ser melhor gastar 70 reais para melhor consistência, porque, como verão adiante, são quantidades bem pequenas a serem misturadas. O pessoal que tem balança Acaia com precisão de 0.00 acredito que não precise comprar outra. Não vou desencorajar quem só tenha balança com precisão de 0.0 a fazer a receita, mas faça por sua conta em risco, sabendo que a precisão estará comprometida. 4) Um recipiente grande: Para não ter que fazer diariamente a mistura, eu opto por fazer 5l de uma só vez, e vou usando ao longo dos dias. Uma solução bem barata é comprar um garrafão de 5l de água mineral em qualquer mercado. Depois de beber toda a água mineral (ou fazer café?), você terá um bom recipiente para sua água customizada por um punhado de reais. Apenas lembrando que as garrafas PET têm uma validade, então fique de olho nisso. SOBRE A RECEITA: A ideia do post não é falar sobre o papel de cada mineral no resultado, mas algumas breves considerações precisam ser feitas. Em primeiro lugar, essa receita é focada em café coado, ou outro método manual que preferir. Uma receita para espresso fica para um segundo momento. O magnésio e o cálcio tem o papel de definir a dureza da água (o alvo é 60ppm nessa receita) e o bicarbonato de sódio definir a alcalinidade da água. A alcalinidade de água tem relação com a percepção de acidez do café, que naturalmente é uma bebida ácida, ainda que estejamos falando de café com torra escura (!). Um café muito ácido é difícil de tomar de tão azedo, um café pouco ácido é sem graça. No meio termo disso temos um ponto de equilíbrio, mas onde fica esse ponto é muito subjetivo, incluindo o gosto pessoal de quem bebe. A SCA recomenda por padrão 40ppm de KH, e esse é um número bem difundido e capaz de geral bons resultados. Eu, particularmente, prefiro 30ppm (medida que aumenta a percepção de acidez) em razão do meu gosto pessoal por cafés mais frutados, cítricos. Não fiz testes cegos, triangulações e tudo mais. Pode ser apenas um viés de confirmação de minha parte. Abaixo vou colocar as medidas com 40ppm e 30ppm de KH. Fique a vontade para usar a que preferir, ou mesmo mudar, para cima ou para baixo, ajustando a quantidade de bicarbonato de sódio, mantendo igual o magnésio e o cálcio. PREPARAÇÃO 1) Pegue seu recipiente e coloque 5l de água pura dentro. Reserve. 2) Pegue sua balança e meça as seguintes quantidades de minerais: OBS: entre parênteses coloquei as medidas em 0.000, mas eu sempre arredondo na segunda casa decimal (duvido que eu vá perceber a diferença): a) Sulfato de Magnésio: 0.51g (0.506g) b) Cloreto de Cálcio: 0.14g (0.137g) se di-hidratado ou 0.10g (0.104g) se anidro. c) Bicarbonato de sódio: 0.25g (0.251g) para 30ppm KH ou 0.34g (0.336g) para 40ppm KH. 3) Despeje no recipiente com a água pura. Provavelmente vão ficar bastante mineiras colados na “conchinha” para medir. Dê uma “chuchada” na água para que não fique nada sobrando. 4) Dê uma boa chacoalhada no garrafão e pronto! Sua água está pronta para consumo. Eu guardo a água na geladeira e vou usando. É possível deixar fora, e se você consumir dentro de uma semana, provavelmente não terá nenhum prejuízo. Isso vai depender do clima, da umidade e do quão rápido você consome. Se por acaso sentir um cheiro estranho, ou gosto diferente no café, sugiro cogitar armazenar na geladeira. Era isso por hoje. Desculpem o post longo. Estou à disposição para quem quiser um auxílio, mas, como viram, não é nada muito complicado. Abraços.
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  4. Achei interessante, sim. Algo que caminha para a clareza de notas sempre é muito animador. Porém, talvez não seja algo tão novo assim, além do Pietro citado, acredito que tenhamos já algo que vá nessa linha, como os da Cafesing, analisados em alguns vídeos do YT brasileiro, como como outros aqui no fórum: Curioso também para ver como será avaliado o da Aram.
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  5. Falta confirmar se ela dura 15 anos. A parte eletrônica, em específico, duvido. Torço para que sim. Torço para que esteja mais disponível, principalmente por aqui. Com assistência acessível. A concorrência é ótima. A V2 é promissora, tem tudo o que eu gostaria, até mais. Seria excelente tê-la como opção sólida, segura. Similares como Ascaso, Arkel, estão na casa dos US$ 2.000. Enfim, o tempo poderá consolidá-la como uma fortíssima opção, Rancilio Killer, Gaggia Killer, etc. Desde que a iminente guerra de mercado não interfira, claro. Que fique por ali, entre 3 ou 4 países.
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  6. Legal! Costumo pôr na chaleira uma quantidade bem generosa, para não correr o risco de faltar água, mas também porque, com uma quantidade maior, se mantém a temperatura com o desenrolar dos despejos. Daí dá para escaldar tranquilo e não se preocupar com a queda de temperatura. Gosto de usar as receitas de James Hoffmann, Tetsu Kasuya, ou algo parecido com a sua, ultimamente andei testando a do Melodrip. Mas, quase tudo com temperatura não acima de 93°. É bem divertido, mas confesso que no geral tendo a preferir trabalhar moagem média a média-grossa, mirando entre 2:30' e 3:00', no tempo, e uma bebida limpa. A do Melodrip, por exemplo, recomenda um tempo de 4 minutos de extração, moagem fina. E nem é que amarga, mas a coisa fica turva e pesada. Para mim funcionou também com o horizonte de até 3 minutos, não tão fina a moagem.
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  7. Eu gostava muito do click 90 quando utilizava o K6, começava por ele e caso necessário diminuía. Gosto da temperatura da água em no máximo 93 graus, variando para baixo de acordo com a torra e com o processo utilizado no café. Por muito tempo utilizei a receita do Scott Rao para pour overs num geral. Para torras mais claras uso a proporção 1:16-17 e torra media 1:14-15, já fiz torra escura com 1:10 e ficou ótimo, isso varia. 2.5-3x agua x qtd de cafe para o blooming e os outros 2 despejos quase que iguais, costumo fazer o segundo com 20-40ml mais que o terceiro. Rao spin (intenso) no após o blooming e Rao spin (mais leve) após o ultimo despejo. Buscava um tempo entre 3-4 min nessa receita. Hoje em dia utilizo mais a receita de despejo unico do canal Tales Of Coffee. Moagem em torno de 400-450 mícrons (35-40 no DF54), bem fina mesmo. O vídeo explica bem a técnica, simples e complexa ao mesmo tempo. Nessa receita o tempo alvo fica entre 01:45 e 02:30. Resultado bem completo e interessante. Nesse vídeo da receita de despejo único tem umas informações interessantes que você pode levar para outras receitas como: dobra e encaixe ideal do filtro de papel, relação entre o posicionamento do filtro de papel e a direção do seu despejo de agua, altura do despejo de agua etc. Tenho que voltar a brincar com a receita do Tetsu Kasuya (4:6) agora que consegui uns filtros T-90 da Cafec (achei um pouco melhores que os da Hario) e tomar coragem pra testar o Osmotic flow (onde esses filtros da cafec brilham, segundo o próprio fabricante).
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  8. Olá. Minha receita é bem parecida com a sua. Vamos às diferenças: Grão: Fazenda Cariama ( https://www.luccacafesespeciais.com.br/produtos/cafe-especial-cariama-serra-da-canastra-250g/?srsltid=AfmBOoogGkaltLFGxTL34w-PHqosCDHRbvcImGz4ruGPcMJkalPrs52U ) Quantidade de café: 16,7g Temperatura da água: 95°C Moagem: 80 cliques no K6 Todo o resto igual, então nem vou repetir. O café passou em 2 minutos e meio (2'34", para ser mais exato). Nem sub nem super extraído, amargor natural do café, com doçura e acidez satisfatoriamente presentes. Aprovadíssimo na xícara pelo meu cliente mais chato, que sou eu mesmo. Saudações!
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  9. gaggia killer (matadora de gaggia)
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