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Olá pessoal! Começando este tópico sobre o Kingrinder K7 comentando um pouco a 1ª experiência e testes com este aprimorado moinho. Basicamente, ele tem a mesma construção dos outros kingrinders K4 e K6, com algumas melhorias interessantes: · Todo o intervalo de moagem, cobrindo turco até prensa francesa, é de apenas 100 clicks com precisão de 15 microns. Embora a Kingrinder divulgue que o máximo é 100 clicks, na prática consegue-se ajustar até 110 clicks. Para fins de comparação, o K6 tinha 240 clicks divididos em 4 voltas e precisão de 16 microns. Ou seja, fica muito mais fácil migrar de um método para outro, assim como no 1zpresso k pro (atual k ultra). · O clipe em forma de U, que prendia o eixo no K6, foi substituído por uma arruela que prende o eixo apenas com uma pequena girada para um dos lados. Ideia similar ao ajuste do 1zpresso X pro. · Pela limitação de 1 volta definindo o mínimo e máximo, e a forma de travar o eixo pela nova arruela, o K7 agora fica calibrado exatamente no número Zero, não perdendo a calibração ao ser desmontado. · O copo coletor é preso por 4 pequenos encaixes e travado por imãs. Isso torna muito prático o encaixe e desencaixe precisando fazer um giro menor que ¼ da volta. O melhor ajuste que conheço é do Millab M01 e esse do K7 parece ter a mesma ideia. · A banda de silicone foi remodelada e agora está mais aderente às mãos · Novo conjunto de mós (interna e externa) que lembram os traços de design do ZP6, embora a mo interna do K7 possuir 1 ponta (lamina) a mais. A mó interna é destacável do eixo (vide fotos) e a externa, não. A foto mostra que a mó externa é presa e alinhada por 4 parafusos laterais e o anel cilíndrico que a suporta é inserida por pressão no restante do corpo. Pelo reddit, outros fóruns e no f.a.q. da própria Kingrinder li que não é possível mesmo retirar a mó externa. Mas, obviamente, eu tentei. Ahahah. Eu tirei os parafusos e tentei desencaixar as partes, girando e puxando, mas não obtive sucesso. Pela similaridade das mós do K7 e ZP6, resolvi começar o teste com eles no V60, da mesma forma que fiz com o K4 x kinu e K6 x K pro. Moi amostras em ambos os moedores e tentei deixar numa granulometria similar por inspeção visual. Ajustei o K7 em 88 clicks, o ZP6 em 60 clicks e medi o tempo de extração e os TDS. Tive que ajustar o ZP6 para 56 clicks para chegar no mesmo TDS e cheguei em tempos de extração com diferença de 7segundos. Novamente, comparei as granulometrias visualmente e desta vez utilizei o Difluid Omni para fazer uma série de análises de distribuição das partículas moídas. O que apresentei na imagem é o que ficou mais perto da média dos tamanhos médios e desvios médios dos vários ensaios que fiz. Observa-se que o ZP6 apresenta uma considerável concentração entre 600 e 1180 microns maior do que o K7, mas também apresenta mais fines (<300 microns). Talvez possa se dizer que pelo ZP6 apresentar mais partículas na região de coados, o que sugere mais claridade nas bebidas. Em contraste, a maior quantidade de fines sugere que um maior corpo, doçura e menos claridade. Mas, só com dados quantitativos é bem difícil de prever como serão as características finais... Então, fiz 3 testes no V60 utilizando o método do Kasuya 4:6 que pressupõe uma moagem média-grossa usando o café Catuaí do Eduardo da Roast que apresenta notas de manjericão, tangerina/raspas de limão, lavanda, mel e melaço. O 1º teste foi normal e o outro foi às cegas para ver se conseguia acertar. No dia seguinte, fiz o 3º teste às cegas e também consegui identifica-los. Ambos estão mais para o lado da alta clareza, acidez com menor corpo e doçura dentre os moedores que já testei. Contudo, é possível distinguir características que para esse teste, método e café utilizados definem bem o moedor usado. O K7apresentou notas mais fracas (suaves) de manjericão e acidez mais puxada para laranja. A doçura do mel e do melaço ficaram bem ressaltadas e não consegui identificar o floral da lavanda. No ZP6, claramente deu para identificar a lavanda e uma acidez mais “cortante” tipo limão. Realizei também um único comparativo com o K Max (K ultra) e o resultado foi que o K7 tem mais claridade, mas não mais corpo que o K Max. Nos espressos, como não consigo moer fino suficiente no ZP6 para extrair um espresso ratio 1:2, fiz só com o K7. A propósito, ele é bem rápido na moagem (20g em 40s), mas precisa de uma forcinha extra assim como o K4. O K7 nos espressos de filtro VST 58mm (35 clicks) resulta numa bebida mais leve, acidez ressaltada, mas mantendo uma certa doçura. Não cheguei a testar lado a lado, mas me lembrou os expressos do SSP MP. Fiz testes trocando o filtro para o stepdown 58-46 (45 clicks) da Graph em que se moi bem mais grosso. O resultado foi um espresso com mais corpo e equilibrado entre dulçor e acidez, mas mesmo assim ainda fica bem longe de um espresso mais tradicional usando um kinu, K4 ou Niche Zero. Concluindo, gostei bastante das melhorias e entendo ser um ótimo concorrente do ZP6 para coados e tendo a vantagem de moer facilmente para espresso. Considerando que paguei 1200 no Aliexpress e que o ZP6 está cerca de 1600, entendo ser um ótimo custo benefício para coados e expressos mais leves com notas sensoriais mais perceptíveis. Aos outros que forem comprando e testando o k7, compartilhem as opiniões! Abraço!1 point
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Cara, o Ode é um excelente moedor, mas ele não é feito para espresso. Mesmo que com algumas gambiarras funcione você vai estar exigindo do motor mais do que ele foi projetado para entregar, e tem muito risco de comprometer a vida útil do produto. Minha recomendação é comprar outro moedor para espresso, pelos últimos reviews o starseeker parece ser a opção custo-benefício do momento. E aí você pode ou continuar com o Ode ou trocar por um manual de boa qualidade para os coados, como um ZP6, K-Ultra ou Kingrinder K6/K7.1 point
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Mais clareza possível é o ZP6. O k7 dar coados e espressos mais caros que o k6, com certeza. Se puder gastar um pouco mais, recomendo pietro com mos de coados. Se for para elétricos tem os Df64, cf64 ou T64 com as SSP MP ou brew burrs, ou Sculptor 078 com turbo burrs1 point
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Na gringa a ideia de fazer água customizada para café é algo bem comum, mas me parece pouco discutido por aqui. Não achei muito material prático em português e os poucos tópicos aqui do fórum mais falam sobre filtros e etc. Pois bem. Não tendo a intenção de esgotar o assunto, nem dar carteiraço de autoridade, até porque químico eu não sou, mas vou repassar pra vocês a minha rotina caseira de preparação de água do zero, passo a passo, pra qualquer um fazer. Posso garantir que o salto de qualidade pode ser muito grande, a depender da água que o leitor hoje use, comparável a um upgrade de moedor, por assim dizer. Na minha experiência dos últimos tempos, eliminar a água como uma variável da extração é algo muito positivo, principalmente porque os filtros de água tentem a perder eficácia com o tempo, e isso muda a quantidade de minerais na água; quem opta por água mineral ainda pode sofrer do mesmo dilema, ainda que em menor escala, porque existe uma padronização maior. Essa água também me fez cafés melhores do que os filtros que já usei, então mais um ponto positivo. Chega de enrolação. Alerta de post longo. VOCÊ VAI PRECISAR DE 1) Água destilada ou próxima disso: É bem comum partir de uma água com o mínimo de sólidos possível (TDS 0,0). Você tem a opção de comprar água destilada (comprada em garrafão), utilizar um sistema de osmose reversa na sua casa (bem caro) ou, como eu faço, utilizar um pitcher da ZeroWater, que agora temos a sorte de ser vendido no Brasil com distribuição oficial da IBBL (que também faz ótimos filtros, diga-se de passagem) Segue o link: https://www.ibbl.com.br/jarra-purificadora-domestica-zerowater-azul-90080001/p?idsku=135&gclid=CjwKCAjw1YCkBhAOEiwA5aN4ATOnFC3OxN29SUci5zxk5jkLgKLwai-TXBhrac2MAYis_zsNhhiTFRoCVxAQAvD_BwE O pitcher em si é um investimento relativamente alto, mas já vem com um filtro (que custa na média de 150 reais) e um medidor digital de TDS, que é interessante para saber como está sua água “pura” e da torneira, e se você não fez burrada na receita. É um medidor simples, mas serve para saber se você está no caminho certo. O recomendável é fazer medições com a água em torno de 25º para maior precisão. A durabilidade do filtro, como qualquer outro, depende da dureza da água que passa por ele. Como aqui a água é relativamente mole (60ppm), eu posso esperar uma vida útil perto de 200 litros (o medidor de TDS vai começar a apontar 0,05, por exemplo, e aí está na hora de trocar). Na ponta do lápis, pelo menos na minha cidade, sai mais barato que comprar água destilada 2) Minerais: Pela internet existem várias receitas com várias combinações possíveis. Uso uma combinação de três minerais que conseguimos achar com relativa facilidade no Brasil. Você vai precisar comprar a) Bicarbonato de sódio (NahCO3): esse normal que se acha em qualquer mercado. Sem firulas. b) Sulfato de Magnésio Heptahidratado (MgSO4.7H2O): não se assuste com o nome. É bem provável que você ache em farmácias com a denominação de “sal de epsom” ou “sal amargo”. A questão fica se o produto que você encontrar é alimentício, garanta isso por questões de saúde. Mais sobre isso adiante. c) Cloreto de Cálcio (CaCl2): você provavelmente vai achar em duas formas, “anidro” ou “di-hidratado”. As duas formas servem, apenas mudará a dose – tenha, porém, certeza de qual forma está comprando, porque às vezes na embalagem/site apenas estará escrito “cloreto de cálcio” e nada mais. Na dúvida, pergunte ao vendedor. Também garanta que o produto é alimentício. Os dois últimos podem ser facilmente achados em lojas de produtos de cerveja artesanal (pelo menos no Brasil, esse pessoal está na nossa frente nesse tópico – é algo comum nesse meio trabalhar com a composição da água). Eu recomendo a www.piquiribrewshop.com.br. Fui muito bem atendido, envio rápido, e tenho certeza das especificações dos minerais, além da garantia de ser alimentício. Sulfato de magnésio: https://www.piquiribrewshop.com.br/produto/sulfato-de-magnesio-alimenticio-100g.html Cloreto de cálcio: https://www.piquiribrewshop.com.br/produto/cloreto-de-calcio-alimenticio-100g.html OBS: não se anime em comprar grandes quantidades para “baratear”. São utilizadas quantidades muito pequenas. Potes de 100g devem durar alguns anos. 3) Balança: Eu uso uma “balança de joalheiro”, com precisão de 0.000. Comprei essa do Aliexpress e tem funcionado bem: https://pt.aliexpress.com/item/32849231936.html?spm=a2g0o.order_list.order_list_main.11.543fcaa4appVIb&gatewayAdapt=glo2bra É mais um gasto para todo o processo, mas ainda entendo ser melhor gastar 70 reais para melhor consistência, porque, como verão adiante, são quantidades bem pequenas a serem misturadas. O pessoal que tem balança Acaia com precisão de 0.00 acredito que não precise comprar outra. Não vou desencorajar quem só tenha balança com precisão de 0.0 a fazer a receita, mas faça por sua conta em risco, sabendo que a precisão estará comprometida. 4) Um recipiente grande: Para não ter que fazer diariamente a mistura, eu opto por fazer 5l de uma só vez, e vou usando ao longo dos dias. Uma solução bem barata é comprar um garrafão de 5l de água mineral em qualquer mercado. Depois de beber toda a água mineral (ou fazer café?), você terá um bom recipiente para sua água customizada por um punhado de reais. Apenas lembrando que as garrafas PET têm uma validade, então fique de olho nisso. SOBRE A RECEITA: A ideia do post não é falar sobre o papel de cada mineral no resultado, mas algumas breves considerações precisam ser feitas. Em primeiro lugar, essa receita é focada em café coado, ou outro método manual que preferir. Uma receita para espresso fica para um segundo momento. O magnésio e o cálcio tem o papel de definir a dureza da água (o alvo é 60ppm nessa receita) e o bicarbonato de sódio definir a alcalinidade da água. A alcalinidade de água tem relação com a percepção de acidez do café, que naturalmente é uma bebida ácida, ainda que estejamos falando de café com torra escura (!). Um café muito ácido é difícil de tomar de tão azedo, um café pouco ácido é sem graça. No meio termo disso temos um ponto de equilíbrio, mas onde fica esse ponto é muito subjetivo, incluindo o gosto pessoal de quem bebe. A SCA recomenda por padrão 40ppm de KH, e esse é um número bem difundido e capaz de geral bons resultados. Eu, particularmente, prefiro 30ppm (medida que aumenta a percepção de acidez) em razão do meu gosto pessoal por cafés mais frutados, cítricos. Não fiz testes cegos, triangulações e tudo mais. Pode ser apenas um viés de confirmação de minha parte. Abaixo vou colocar as medidas com 40ppm e 30ppm de KH. Fique a vontade para usar a que preferir, ou mesmo mudar, para cima ou para baixo, ajustando a quantidade de bicarbonato de sódio, mantendo igual o magnésio e o cálcio. PREPARAÇÃO 1) Pegue seu recipiente e coloque 5l de água pura dentro. Reserve. 2) Pegue sua balança e meça as seguintes quantidades de minerais: OBS: entre parênteses coloquei as medidas em 0.000, mas eu sempre arredondo na segunda casa decimal (duvido que eu vá perceber a diferença): a) Sulfato de Magnésio: 0.51g (0.506g) b) Cloreto de Cálcio: 0.14g (0.137g) se di-hidratado ou 0.10g (0.104g) se anidro. c) Bicarbonato de sódio: 0.25g (0.251g) para 30ppm KH ou 0.34g (0.336g) para 40ppm KH. 3) Despeje no recipiente com a água pura. Provavelmente vão ficar bastante mineiras colados na “conchinha” para medir. Dê uma “chuchada” na água para que não fique nada sobrando. 4) Dê uma boa chacoalhada no garrafão e pronto! Sua água está pronta para consumo. Eu guardo a água na geladeira e vou usando. É possível deixar fora, e se você consumir dentro de uma semana, provavelmente não terá nenhum prejuízo. Isso vai depender do clima, da umidade e do quão rápido você consome. Se por acaso sentir um cheiro estranho, ou gosto diferente no café, sugiro cogitar armazenar na geladeira. Era isso por hoje. Desculpem o post longo. Estou à disposição para quem quiser um auxílio, mas, como viram, não é nada muito complicado. Abraços.1 point